Os profetas da internet

Por 8 de setembro de 2015 Destaque Sem comentários
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Eu tenho um pouco de preguiça do mesmo discurso dos profetas da internet.  Os especialistas que sempre falam muito e constroem pouco. Adoram criticar. Melhor, atacar. Que o modelo de agência tradicional vai acabar, que as agências estão velhas, que as agências não entendem as perguntas dos clientes.

Eu tenho até um pouco de paciência com os profetas. Juro. Com ela vou lá no site ou blog e checo o histórico do profeta. Vasculho tudo. Tento conferir o que de tão novo e de tão absurdamente diferente ele faz. Triste. Na maioria da vezes, o trabalho é pífio, fraco e em nada vai mudar a propaganda. Ou nos levar a uma outra dimensão cósmica.

Na minha humilde opinão, tudo pode conviver. Será que não deu para entender isso ainda? Uma coisa não vai excluir a outra. Isso é básico. Vão existir adaptações sim. De todos os lados. Mas sempre vai existir a necessidade de alguem escrever um comercial. Sempre vai existir a necessidade de alguem construir um raciocínio para uma marca. Sempre vai existir a necessidade de montar uma estratégia. E isso a propaganda, sem rótulos ou preconceitos, faz magistralmente.

Fico achando feio quando vejo no tom dos profetas uma vontade que tudo se foda. Talvez uma mágoa por nunca conseguir ter aquela ideia, ter aquele projeto, ter aquela grana, ter aquele cliente.

Vamos deixar claro: clínica faz lipo, mas é hospital que opera. Muitas vezes uma marca tem necessidades que só um hospital resolve. E não uma clínica no bairro dos Jardins em São Paulo.

Eu amo esse mundo novo, só acho que a visão do futuro não pode cegar. Não pode impedir de olhar para os lados e perceber que tem outros ali. Que fazem o que você não consegue fazer, mas que aquela marca precisa. Quem cria peças que ganham as ruas, as redes sociais e as mesas de jantar. E que as marcas precisam.

Gostei muito de um trecho de uma entrevista do Marcelo Serpa recentemente:

“Há um certo deslumbre com as mídias sociais que talvez nos leve a acreditar que a audiência é mais importante que a relevância. Talvez seja um deslumbramento com a ‘indústria do like’, do impacto, do viral, e não da inteligência”.

Eu completo: vamos parar de torcer para dar errado e torcer para todo mundo fazer um trabalho brilhante. É assim que vamos melhorar o nosso negócio.

Artigo de Paulo André Bione, diretor acadêmico da Miami Ad School/ESPM

Fonte: Adnews

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